Masha Alkhim

Sem categoria / 7 de maio de 2021

Coleção de frustrações

Sinto que, ao longo do tempo, todos os meus blogs se tornam uma coleção de frustrações. O conteúdo acaba se tornando algo vazio e sem sentido, algo que não mais fala comigo, e eu não me sinto bem em manter isso aqui. Talvez seja por isso que, desde que me conheço por blogueira, não consigo manter um blog por muito tempo. Depois de alguns meses, parece-me que eu preciso começar do zero, e vez ou outra eu encontro um texto que eu gostaria de manter, um do qual eu realmente me orgulho. E talvez seja assim porque, de fato, eu não estou escrevendo para mim.

Sempre achei que não sentia a pressão de atualizar o blog constantemente, mas agora vejo que sim. Muitas vezes, atualizei só para mostrar que ainda estava viva, não porque realmente tinha algo de interessante para escrever. Não é como se eu nunca tivesse planejado meus posts — quem me conhece sabe que eu tenho várias ideias do que escrever, e tenho vários rascunhos salvos aos quais nunca dei a devida atenção. É só que, às vezes, sinto que não é hora de postar sobre aquilo, porque não faria sentido naquele momento, e deixo para depois. E acabo atualizando o blog com qualquer coisa para dizer que ainda estou viva. Eu queria que o meu blogar fosse natural, e ele é natural, mas não do jeito que eu gostaria.

É natural no sentido de que eu não me atenho aos planos que fiz com antecedência, também é natural no sentido de que, em meio ao desespero, eu faço qualquer bosta e me dou por satisfeita (o que, obviamente, não é verdade). É natural, mas não é fluido. Não é agradável. Não é legal. E eu tenho medo de mudar as coisas e acabar perdendo os poucos leitores que tenho, pois gosto bastante de todos. Tenho medo de não me acharem mais o suficiente, de acharem que meus textos perderam a qualidade, de acharem que eu não ligo mais para o blog ou para quem o lê. E a realidade não poderia ser mais diferente: eu me importo, e demais. Talvez deveria me importar menos.

Este canto é meu. Deveria ser um lugar ao qual venho para falar do que eu gosto, em um formato que me agrada. E, embora eu não saiba exatamente como é este formato ainda, a verdade é que está longe de ser o que anda circulando por aqui recentemente.

Talvez eu tenha perdido o tesão de blogar. Talvez eu não sirva mais para escrever algo sem uma pauta que outra pessoa passou para mim. Ou talvez eu só não queira mais viver. Fica no ar.

Diarices / 5 de maio de 2021

Sobre tentar algo novo

Meu cabelo não é naturalmente liso, mas também não é muito ondulado. É como se ele tentasse formar ondinhas mas desistisse no meio do caminho. E, por conta disso, para conseguir deixar ele de um jeito que eu gosto, preciso ou da chapinha, ou usar alguma técnica para modelar as ondinhas. Sem falar que, quanto mais comprido o cabelo, mais pesado ele fica, deixando ainda mais difícil definir as ondas. No fim, fica um negócio meio estranho, meio torto, sei lá. Só quando está bem comprido (o que raramente deixo acontecer, por motivos de impaciência) que fica bonito: o peso deixa a raiz bem lisa, enquanto as pontas formam lindas ondinhas. Porém, no comprimento de cabelo que eu realmente gosto (no máximo até o ombro), esse padrão não fica legal, não. E eu acabo sempre perdendo a paciência e cortando bem curtinho, ou raspando mesmo (saudades carequinha, viu). Hoje, resolvi usar a técnica mais simples de todas, que aprendi quando tinha 13 anos mas sempre tenho preguiça de aplicar: a fitagem. Engraçado que essa técnica é mais para cabelos cacheados e crespos, mas no caso do cabelo levemente ondulado, como o meu, ele ajuda a definir as ondinhas.

Eu gostei bastante do resultado, apesar de não ser tão visível por foto. Acho cabelos ondulados e cacheados bem bonitos, mas por conta da praticidade, sempre recorri ao cabelo liso mesmo. Interessante que recebi vários elogios por conta desse cabelo, tanto nas redes sociais quanto em casa. Confesso que estou meio entrando em crise, pois sinto que estou perdendo meu rosto de menina e aos poucos ficando com rosto de mulher, e sinceramente não sei se gosto muito disso… Queria ser fofinha para sempre, risos. Enfim, quem sabe essas mudanças me ajudam a lidar melhor com essa fase, não?

Entretenimento / 29 de abril de 2021

Tags fofinhas às quais fui indicada

Olá pessoas que me leem, como vocês estão? Faz tempo que não faço um post mais descontraído, então resolvi aproveitar esse momento para responder umas tags que fui indicada nos últimos tempos.

Antes de tudo, queria dizer que eu praticamente perdi os comentários do blog, porque instalei o Disqus e não tem como repassar os comentários do WordPress para o Disqus. Não perdi os comentários, estão todos salvos no servidor, então não se preocupem que eu vi e vou responder a quem comentou antes de eu instalar o novo sistema, mas caso vocês não entendam porquê o comentário de vocês sumiu, a razão é essa, risos. O motivo de eu ter instalado o Disqus é porque eu fiquei de saco cheio do sistema nativo no WordPress e mandei tudo pras cucuia, é isso, obrigada.

Pois bem, as tags que responderei serão “Heróis do Olimpo” e “Animes, mangás e doramas”, que o João Victor me indicou, bem como a “Tag de Neverland”, que fui indicada pela Shana.

Heróis do Olimpo

  • Regra 1: Se fizer o post, dê os devidos créditos (tag criada pela Malu);
  • Regra 2: Não altere as perguntas.

1. Qual é o teu ser místico preferido?

A Mare é uma criatura da mitologia norueguesa com a qual eu já tive muito contato. É a explicação mística do fenômeno da paralisia noturna, que tive por muito tempo durante minha adolescência, e ainda tenho vez ou outra. De acordo com a lenda, a Mare é um espírito que vem durante o sono e “monta” em você, de preferência no peito. É dessa lenda que vem a palavra norueguesa para “pesadelo”: mareritt (montada da Mare). Para conseguir manter a Mare afastada, os noruegueses teriam que desenhar um pentagrama em uma das pernas da cama, conhecido como marekors (cruz de Mare).

2. Um deus da mitologia grega e o motivo de tê-lo escolhido

Infelizmente vou ter que deixar essa pergunta sem resposta, pois não sei muito sobre a mitologia grega e não consigo escolher um deus específico. Eu poderia pesquisar agora, mas sinto que seria uma resposta muito apressada, baseada em pesquisas superficiais, o que eu não gostaria de fazer, risos.

3. Uma habilidade especial que tu gostaria de ter

Um feitiço de calar a boca das pessoas quando não tô a fim de ouvir merda.

4. Qual seria a arma perfeita para uma batalha?

Eu gosto de arco e flecha. Gosto de batalhas a longa distância, mas admito que, se eu tivesse que lutar algum dia, não importa a distância, eu tava ferrada, risos.

5 Um artefato mágico

Cajados! Adoro cajados, adoro a variedade de cajados que existem, adoro a quantidade de “classes” que podem usar cajados… Enfim, cajados! Risos.

Animes, mangás e doramas

Faz muito tempo que não vejo animes e mangás então me perdoem qualquer coisa, risos.

Regra única: Linkar o blog da Angel.

1. Qual o teu mangá/anime favorito?

Socorro, eu não consigo lembrar, uaheuwha. Um dos últimos que assisti (em 2015 ou 2016) e gostei bastante foi Madoka Magica, inclusive quero reassistir. Lembro de gostar de Pandora Hearts também, mas vi só o anime e não li o mangá, então não posso falar muito. E Soul Eater também, apesar de nunca ter terminado de assistir ou de ler o mangá, tem um espacinho no meu coração. Ah, e claro, o último anime que assisti de fato foi Beastars, e olha, muito bom, recomendo muito.

2. Quais são os melhores doramas, na tua opinião?

The Untamed, de longe o melhor drama de todos que vi na minha vida. Gostei bastante de Abyss também, além de me trazer um quentinho no coração por causa da época em que assisti. Bloody Romance é um dos que rasgou meu coraçãozinho em mil pedaços. E acho que é isso, minha memória é péssima então estou com dificuldades de lembrar de mais, risos. Porém tem vários que eu amo muito, principalmente os chineses — que sinceramente geralmente são bem ruins, mas eu gosto bastante, uahweaw.

3. Um dorama, anime ou mangá que tu assistiu/leu pela última vez

O último drama que assisti foi The Heiress (女世子), no qual a filha de um duque precisa se disfarçar de seu irmão já falecido para convencer o imperador de que o duque tem um herdeiro e permitir que sua família continue comandando o exército Han na fronteira do norte. Porém, ao estudar na academia real na capital, ela acaba fazendo amizade com dois possíveis adversários políticos, e óbvio que rola um romance no meio disso tudo, antes mesmo de descobrirem que ela é uma mulher — ou seja, claramente havemos tendências bissexuais, risos.

4. Um ator de dorama favorito?

Wang Duo é meu favorito desde que assisti Bloody Romance, sua atuação como Gongzi é maravilhosa. Fiquei tão encantada que assisti outros trabalhos dele, infelizmente alguns bem ruins (não pela sua atuação, mas porque as obras como um todo eram ruins mesmo), e torço para ele conseguir papeis realmente bons no futuro. Sei que recentemente ele esteve em um filme da Netflix, The Yin Yang Master, porém ainda não assisti e não posso opinar.

5. Um anime ou dorama que tu assistiu e chorou

The Untamed, óbvio. Também chorei bastante em Ashes of Love.

6. Tu te identifica com algum personagem?

Xue Yang (The Untamed), aquele desgraçado. Me identifico parcialmente, claro, mas me identifico, risos.

7. Em quais personagens de anime tu tem ou já teve crush?

Vários, hahaha. Mas atualmente lembro mais do Yukito, de Sakura Card Captor. O primeiro a gente nunca esquece, né?

8. Se tu pudesse ser amigo de alguém em um dorama ou anime, de quem tu seria?

Wei Wuxian, de The Untamed, e Xiao Yu, de Handsome Siblings. Os dois personagens são muito parecidos, seguem a mesma fórmula, gosto bastante e acho que seriam ótimos amigos, risos. Também adoraria ser amiga da Su Ying, em Handsome Siblings, e da Lin Xia, em Fairyland Lovers. Também relativamente parecidas essas duas personagens, risos.

9. Tu acordou no mundo dos doramas e animes, para qual tu iria?

Eu ia gostar bastante de ir para o mundo de Ashes of Love, que se passa no “céu”, e tem cenários muito bonitos, risos.

10. Qual o primeiro mangá que tu leu?

Chobits! Acho que eu era nova demais para esse mangá nessa época, mas era o único que eu tinha em mãos, então li. E gostei bastante, risos.

Tag de Neverland

  • Quando responder essa tag e for repassá-la, é importante que adicione uma pergunta no final, de sua escolha! Ela deve estar categorizada também, com o lugar fictício da tua preferência :•)
  • A pergunta “Terra do Nunca” deve vir depois da sua pergunta criada. Ela precisa ser a última!
  • Preferivelmente, referenciar quem criou a tag (Victor) e quem te indicou (Shana) ou de onde tu pegou também!
  • Repostar as regras para que as pessoas possam entender melhor a tag quando a responderem.

1. Green Gables – Qual o teu lugar menos favorito do mundo?

Hospitais, eu acho. Engraçado que antigamente eu amava hospital, tanto que queria ir pra área da psicologia hospitalar, mas depois de tudo que rolou no ano passado eu criei um trauma e tenho mini-pânicos toda vez que penso em entrar em um.

2. Cair Paravel – Se tu tivesse que escolher um alimento para comer pelo resto da vida, qual seria?

Eu tinha certeza da resposta a essa pergunta esses dias, mas esqueci. Provavelmente era batata, tho.

3. Hogwarts – Imagine que um culto muito respeitado fundou uma religião baseada nos teus ensinamentos. O que tu vai deixar de lição para eles?

O mundo material é uma ilusão, mas isso não quer dizer que devemos ficar parados e aceitar injustiças. No fim, tá tudo bem, mesmo em meio ao caos.

4. Bosque dos Cem Acres – Tu gostava de brincar de alguma coisa no intervalo? Se sim, do quê?

Não muito, na realidade. Na 1ª série eu tive um daqueles namoricos infantis e o menino gostava de brincar de Peter Pan, e ele sempre queria que eu fosse a Sininho. “Terminei” com ele porque não suportava mais isso, achava um saco, risos. Gostava de brincar de faz de contas com as minhas amigas da vizinhança e tal, mas no intervalo da escola nunca foi minha praia.

5. Refúgio das Fadas – Indica uma música (ou mais) que tu tem ouvido bastante!

Eu e meu vício em músicas chinesas das quais não entendo nada, risos. Marz23 é um rapper (?) de Taiwan que me lembra um pouco ao Lil Peep, risos. Ele tem uma música chamada “Não sou um rapper” e eu não entendi o porquê, mas deve ser porque eu não falo chinês (ainda). Btw, essa música é de outro cara que não conheço, porém acabei falando do Marz23 porque cheguei nela por conta da participação dele, risos. Enfim, caso alguém aí goste de Lil Peep, fica a indicação do Marz23.

6. Terra de Oz – Cite as coisas em ti das quais tu mais te orgulha. Não vale dizer que não te orgulha de nada!

Minha escrita e o quanto eu evoluí e amadureci nas relações interpessoais junto com anos de terapia.

7. País das Maravilhas – Qual o último livro que tu leu? Tu gostou dele?

O Mapa de Sal e Estrelas, Zeyn Joukhadar. O livro é lindo, recomendo muito!

8. Gravity Falls – Crie uma estética para a tua estação favorita!

Acredito que minha estação favorita é o verão, e não sei se conseguiria criar uma estética para essa estação porque praticamente grande parte do Brasil vive em um eterno verão, então a estética do verão é tipo… ser brasileiro, né? Risos. Mas se fosse pra citar alguns elementos, citaria longas caminhadas em parques, ficar sob a sombra das árvores, ir à praia, catar conchinhas, se entupir de protetor solar, sair à noite para um barzinho na beira da praia… Ai céus, acaba longo pandemia, eu como boa filha de Iemanjá não aguento mais ficar longe do mar!

9. Arendelle – Com qual personagem fictício tu mais te identifica?

Já respondi isso em outra tag acima, mas mantenho minha resposta: Xue Yang!

10. Crystal Tokyo – Se pudesse viajar para o futuro, o que esperaria ver?

O fim da humanidade ou uma humanidade pós-revolução com um ecossocialismo possivelmente automatizado, risos.

11. Burial Mounds – Qual é o refúgio (físico ou mental) mais seguro do mundo para você?

Quando estou mal e preciso me refugiar em algum lugar, geralmente faço isso em meu próprio quarto, mas na realidade o meu refúgio é mais mental do que físico. Isso porque eu entro em um estado mental no qual o isolamento total é minha defesa, e eu acabo dedicando bastante tempo a mim mesma, não fazendo um autocuidado de qualidade, mas passando um tempo comigo mesma para entender melhor o que estou sentindo, quais as minhas esperanças em relação a essa situação etc. Vez ou outra até tiro umas cartinhas de tarot pra me ajudar a entender, mas o principal é esse isolamento mesmo, período no qual me dedico aos meus hobbies.

P.S.: Para quem não sabe, Burial Mounds — ou Colina Sepultura — é o lugar no qual Wei Wuxian se torna o Patriarca de Yiling e ajuda os sobreviventes do clã Wen a se refugiarem, visto que os outros clãs não tinham coragem de ir a essa região. Se você não viu The Untamed ou Mo Dao Zu Shi, fica a dica de um drama/donghua maravilhoso! ♡

12. Terra do Nunca – Indique algumas pessoas para participar (pelo menos uma)!

Socorro, tá difícil. As duas pessoas que costumo indicar pra essas coisas foram as pessoas que me indicaram AAAA! Sei lá, acho que dessa vez vou indicar a Snow e a PaMu, faz tempo que não apareço no blog de vocês mas ainda os amo, viu? ;w;

De todas as tags, a única que pedia para marcar alguém era a última. Porém, fica a critério de quem quiser, façam o que quiserem, esse mundão é muito grande pra gente ficar esperando as pessoas nos indicarem para fazer algo. Se gostaram, fiquem à vontade.

Beijinhos e até a próxima!

Livros / 25 de abril de 2021

A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver (Ana Cláudia Quintana Arantes)

“Em A morte é um dia que vale a pena viver, Ana Cláudia tem a coragem de lidar com um tema que é ainda um tabu. Em toda a sua vida profissional, a médica enfrentou dificuldades para ser compreendida, para convencer que o paciente merece atenção mesmo quando não há mais chances de cura. Após toda a luta, agora os Cuidados Paliativos têm status de política pública, recebendo do Estado a atenção que ela sempre sonhou.”

Sinopse da Amazon

Não lembro exatamente como tive meu primeiro contato com este livro, mas acredito que foi uma indicação de um amigo meu (psicólogo) quando contei as notícias de que minha mãe estava terminalmente doente. Não consegui ler o livro naquela época — a dor era constante e acredito que eu não aguentaria um livro deste teor naquele momento. No entanto, recentemente, acabei topando com o livro em uma dessas esquinas da vida (a.k.a. grupos de pirataria do Telegram), e resolvi ler. Foi uma leitura muito mais leve do que eu imaginava, especialmente pelo jeito que a autora fala sobre a morte, ou melhor: sobre a vida.

“Não há fracasso diante das doenças terminais: é preciso ter respeito pela grandeza do ser humano que enfrenta sua morte.”

Ao abordar a questão dos cuidados paliativos, a autora faz questão de destacar o pensamento que eu tentei manter durante aqueles meses nos quais minha mãe se encontrava doente: fazer o que for possível para a pessoa que está viva hoje. Apesar de estar lidando com o processo de morte, a vida desta pessoa ainda não acabou, e não podemos agir como tal. Ainda há muito que pode ser feito, ainda é possível viver, mesmo diante da morte. Sinto que não fiz uma boa tarefa com a minha mãe, admito — o estresse provocado pela doença acabou pesando demais às vezes, o que causou alguns momentos de desentendimento, momentos de tristeza e dor, mas o principal é que, a medida em que a consciência de minha mãe se tornava mais reduzida, havia momentos em que realmente não tínhamos ideia do que podíamos fazer por ela, visto que nem ela mesma conseguia expressar adequadamente o que queria. E, por conta da pandemia, o acesso a cuidadores e terapeutas ocupacionais que pudessem nos ajudar com adaptações foi muito prejudicado, sem falar no curso acelerado da doença, que também complicava ainda mais as coisas. No fim, sei que poderíamos ter feito mais, mas fizemos o que conseguimos no momento, e tento não me culpar por isso.

Ok, deixando de falar de mim e dos meus dramas pessoais, o livro também aborda a questão sobre como não se fala sobre a morte na faculdade de medicina. Fala-se sempre sobre curar, mas não se fala sobre cuidados paliativos — ou, se fala, é de uma maneira superficial, tanto que grande parte dos médicos acabam colocando a pessoa em coma induzido quando ela não está respondendo aos tratamentos e a doença continua piorando. Embora isso possa parecer ético, porque a pessoa supostamente não sofre no coma induzido, isso também rouba da pessoa a possibilidade de viver mais alguns dias; ao invés de remediar os sintomas específicos da pessoa, é mais fácil colocá-la para dormir até que o coração pare de bater. E, para combater isso, a autora cita que costuma dar um atestado dizendo que ao paciente é recomendado um processo de morte “natural”. Deixar que ele morra da doença, sim, com seus sintomas tratados na medida do possível, mas ainda assim vivo e consciente até seus últimos suspiros.

Claro que este livro me fez refletir bastante sobre o que passei com a minha mãe, mas também me fez refletir sobre o tabu que é se falar sobre a morte em geral. Claro que eu já tinha refletido sobre esse tabu, afinal desde a infância já saquei que as pessoas não gostavam muito quando eu acabava tocando no assunto “minha irmã que já morreu”. Como se fosse um peso enorme, como se eu tivesse trazido à conversa o seu próprio fim. E, sinceramente, falar sobre morte é difícil porque dói, porque nos lembra que somos finitos e que nós e todos aqueles que amamos um dia chegarão lá — mas só porque dói, não quer dizer que não é um assunto que deve ser trancado a sete chaves. A morte é tão importante quanto a própria vida, sendo seu ponto final e portanto o que completa o seu sentido, no fim das contas. E esse tabu em relação à morte é tão grande que até mesmo aqueles que são mais prováveis de lidar com ela, os médicos, pouco veem sobre ela durante seus estudos.

“O médico que foi treinado sob o conceito ilusório de ter poder sobre a morte está condenado a se sentir fracassado em vários momentos da carreira.”

Por fim, para mim, a parte mais interessante do livro foi, de fato, quando Ana Cláudia mostra um jeito de pensar sobre a morte a partir dos elementos, como fazem algumas filosofias não-ocidentais. A medida em que a autora narra o processo de morte pela dissolução de tais elementos, fui lembrando de todas as etapas da doença da minha mãe, e fui identificando a cada momento o que ia acontecendo. Apesar de não ter nenhuma fundamentação científica, o processo simplesmente faz sentido. E eu acho isso simplesmente sensacional, deixando claro que o positivismo tão entranhado no ocidente está longe de ser a única maneira de conhecer e fazer sentido do mundo em que vivemos.

“Passar por uma perda pode nos dar a percepção do tamanho do amor que fomos capazes de sentir por alguém, de como essa pessoa pode ter sido generosa ao esperar o nosso tempo de aceitar a morte dela.”

‘Cause there’s no comfort in the waiting room
Just nervous paces bracing for bad news
And then the nurse comes round
And everyone lifts their heads
But I’m thinking of what Sarah said
That “love is watching someone die”

What Sarah Said – Death Cab for Cutie
Diarices / 22 de abril de 2021

Quero voltar ao último domingo

Não estou comendo de forma saudável e meus hábitos de sono estão todos desregulados. Ando cuidando mais das minhas ratas do que de mim mesma, e isso que ainda me considero bastante negligente com elas. No psiquiatra, ouvi que não era preciso aumentar a dose do antidepressivo porque toda a pressão e desmotivação que eu ando sentindo é considerada uma resposta emocional adequada ao que estou vivendo. Sem falar no frio, que chega aos poucos e me faz querer enrolar as ratas em cobertores importados, enquanto eu permaneço de manga curta com a rinite a todo vapor, como se eu estivesse testando os limites do meu corpo. Talvez, no fundo, eu queira ficar doente. Será que assim eu posso descansar um pouco?

Eu queria poder voltar ao último domingo. Foi o melhor domingo que tive em meses. Um daqueles domingos preguiçosos, nos quais não precisamos sair da cama, acompanhada de meu namorado e das duas ratinhas, que dormiram o dia todo debaixo das cobertas. Vocês não têm ideia do quanto essas meninas cresceram nas últimas semanas. Estão gigantes! E cada dia mais destemidas para explorar mais. Estou com planos de fazer algumas adaptações na gaiola, para torná-la mais divertida para ratos, bem como fazer alguns brinquedos bacanas para que elas brinquem bastante quando estão soltas.

Meu namorado e minhas ratas têm sido minhas maiores fontes de alegria nos últimos tempos. Eu amo meu curso e estou adorando atender na clínica, mas mentiria se dissesse que estou perfeitamente feliz — sinto que não estou tão preparada quanto deveria estar, ainda que eu tenha feito várias leituras ao longo dos anos e até mesmo durante as férias. Felizmente, minha supervisora é ótima e consegue passar várias orientações úteis, que permitem com que eu não me sinta tão perdida durante os atendimentos, mas a ansiedade e o desespero de não saber exatamente o que falar ou fazer sempre acabam aparecendo e me deixando bem sobrecarregada.

Quanto aos outros estágios, andam a passos de tartaruga, o que já era esperado que acontecesse em tempos de pandemia. Algumas coisas não ficaram muito claras, alguns orientadores não conseguem orientar muito bem, e eu me sinto jogada ao vento como se, ao invés de testar os conhecimentos de psicologia que adquiri ao longo do curso, estivessem testando a minha capacidade de ser funcional em meio ao mais completo caos. E, infelizmente, eu já não sou muito funcional quando está tudo bem, então quem dirá agora…

Sinto-me desconectada de uma parte de mim que me importa muito, mas também sinto que não posso voltar porque, agora, não é a hora. É hora de focar nos estágios, hora de focar em construir conexões para iniciar uma carreira, hora de provar ao mundo que, no fim das contas, tudo valeu a pena. E eu não discordo: valeu a pena sim, e continua valendo, e provavelmente valerá por toda a minha vida. Eu só queria não ter que precisar provar nada para ninguém.

Reflexões / 16 de abril de 2021

Sobre não ─ e nem querer ─ ser uma boa pessoa

Sinto que tanta coisa aconteceu desde o último post, mesmo que, na realidade, eu ainda esteja navegando pela sensação quase universal de que todo dia é o mesmo dia. O último ano da faculdade está sendo mais pesado do que eu imaginava, não somente porque ele é objetivamente pesado, mas também porque subjetivamente está tudo tão caótico na minha cabeça que sinto que meu corpo é inteiro feito de chumbo e para simplesmente conseguir sair da cama no dia-a-dia tem sido um sacrifício.

Acho que estou no início de uma fase depressiva, e sei muito bem os gatilhos que me trouxeram até este momento. Eu só não sei direito o que fazer, porque todas as técnicas que aprendi com anos de terapia e com anos de faculdade parecem impossíveis de realizar em um momento no qual minha cabeça só consegue pensar em como a vida é uma longa espera pela morte.

É estranho porque, recentemente, estive em maior contato com a minha espiritualidade e percebi que a morte, em si, não me é tão desagradável quanto parece ser. Tanto que, atualmente, já não consigo mais me importar com a moral que dita que jamais podemos desejar a morte a alguém. E isso é algo que me tirou um peso tremendo porque, apesar de ser um grupo seleto de pessoas que eu gostaria que não mais estivessem neste mundo, pouco importa se eu acho que é certo ou errado eu pensar na morte de tais pessoas; a questão não é que eu não posso desejar, a questão é que eu simplesmente não controlo este desejo e ponto. Não tem porquê eu me sentir culpada pelas coisas que eu não controlo.

Eu cresci a minha vida inteira ouvindo falar sobre karma, sobre como não podemos alimentar o karma porque se fizermos ou pensarmos coisas ruins, estaremos então atraindo coisas ruins até nós. Porém, recentemente, eu percebi que o karma não é uma moeda de troca: não basta você ser uma pessoa boa para que apenas coisas boas aconteçam a você. Na realidade, o karma é muito mais parecido com as ondas do mar; elas batem porque tem que bater, e pouco importa se você fez algo para merecer isso ou não. Você irá passar por momentos de tempestade e calmaria independente do que você faça, então não adianta ficar se culpando pelos infortúnios que ocorrem como se eles fossem culpa de alguma atitude que você teve em algum momento no passado, seja nesta vida ou em qualquer outra. Os ciclos se repetem indeterminadamente, e não existe uma relação de culpa no movimento natural das coisas: ninguém culpa o dia pela existência da noite.

A verdade é que eu fui criada para sentir culpa. Culpa pelos meus desejos, culpa pelas minhas ações, culpa pelos meus pensamentos, culpa pelos meus meros sentimentos e emoções momentâneas. De tudo isso, a única coisa que eu consigo controlar de fato são minhas ações, então não faz sentido algum eu me sentir culpada por todo o resto.

O corpo humano precisa de alimento para sobreviver. O alimento é uma coisa boa, é delicioso, promove o bem-estar tanto físico quanto mental. No entanto, após a ingestão, ocorre todo um processo de digestão que acarreta na formação das fezes, que é frequentemente vista como algo ruim. Porém, na realidade, é apenas algo natural, e algo do qual temos nojo pelo simples fato de que não faz bem para nós ingerir novamente.

A verdade é que, no fim das contas, o mesmo ocorre com tudo em nossas vidas. Existem diversas situações ao nosso redor que, quando nossa psique consegue digerí-la, resulta em pensamentos ou sentimentos que não são socialmente bem vistos ou até mesmo são subjetivamente desagradáveis. E a todo o tempo as pessoas tentam nos falar que é errado termos estes pensamentos e sentimentos, que não podemos sentir raiva ou ódio, bem como não podemos pensar ou desejar o mal a alguém ─ pouco importa o quão mal esta pessoa nos fez. Só que, no fim das contas, as coisas simplesmente não são assim. Nós não somos culpados pela produção desagradável de nossas mentes. Responda-me, de maneira sincera: você sente culpa por defecar? Pois bem. Não deveria sentir culpa por ter pensamentos “negativos”, então.

Somos seres complexos demais para sermos governados por leis morais absolutas, ter nossas vivências, pensamentos e sentimentos castrados simplesmente por não serem agradáveis. Somos levados a acreditar que somos culpados por tudo de ruim que acontece conosco, e a realidade está longe de ser assim. Não vou entrar em detalhes do porquê nos fazem acreditar nisso, mas certamente tem a ver com o fato de que, desta forma, é possível com que outros detenham o poder sobre nós. Por fim, a culpa não passa de um sentimento desagradável para o qual pouco importa a verdadeira responsabilidade que temos diante da situação. É por isso que pessoas consideradas boas são massacradas pelo peso da culpa constantemente.

Eu me recuso a ser uma boa pessoa.