Masha Alkhim

Sem categoria / 7 de maio de 2021

Coleção de frustrações

Sinto que, ao longo do tempo, todos os meus blogs se tornam uma coleção de frustrações. O conteúdo acaba se tornando algo vazio e sem sentido, algo que não mais fala comigo, e eu não me sinto bem em manter isso aqui. Talvez seja por isso que, desde que me conheço por blogueira, não consigo manter um blog por muito tempo. Depois de alguns meses, parece-me que eu preciso começar do zero, e vez ou outra eu encontro um texto que eu gostaria de manter, um do qual eu realmente me orgulho. E talvez seja assim porque, de fato, eu não estou escrevendo para mim.

Sempre achei que não sentia a pressão de atualizar o blog constantemente, mas agora vejo que sim. Muitas vezes, atualizei só para mostrar que ainda estava viva, não porque realmente tinha algo de interessante para escrever. Não é como se eu nunca tivesse planejado meus posts — quem me conhece sabe que eu tenho várias ideias do que escrever, e tenho vários rascunhos salvos aos quais nunca dei a devida atenção. É só que, às vezes, sinto que não é hora de postar sobre aquilo, porque não faria sentido naquele momento, e deixo para depois. E acabo atualizando o blog com qualquer coisa para dizer que ainda estou viva. Eu queria que o meu blogar fosse natural, e ele é natural, mas não do jeito que eu gostaria.

É natural no sentido de que eu não me atenho aos planos que fiz com antecedência, também é natural no sentido de que, em meio ao desespero, eu faço qualquer bosta e me dou por satisfeita (o que, obviamente, não é verdade). É natural, mas não é fluido. Não é agradável. Não é legal. E eu tenho medo de mudar as coisas e acabar perdendo os poucos leitores que tenho, pois gosto bastante de todos. Tenho medo de não me acharem mais o suficiente, de acharem que meus textos perderam a qualidade, de acharem que eu não ligo mais para o blog ou para quem o lê. E a realidade não poderia ser mais diferente: eu me importo, e demais. Talvez deveria me importar menos.

Este canto é meu. Deveria ser um lugar ao qual venho para falar do que eu gosto, em um formato que me agrada. E, embora eu não saiba exatamente como é este formato ainda, a verdade é que está longe de ser o que anda circulando por aqui recentemente.

Talvez eu tenha perdido o tesão de blogar. Talvez eu não sirva mais para escrever algo sem uma pauta que outra pessoa passou para mim. Ou talvez eu só não queira mais viver. Fica no ar.

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