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I just threw out the love of my dreams

19 de novembro de 2021 — Diarices

Desde que iniciei o tratamento com estimulantes, minha vida tem fluído. Sempre que estou sob efeito da medicação e consigo dar conta das coisas que tenho que fazer, penso “uau, então é assim que é ser normal?”. Eu sei que a verdade é que normal nem existe e nem mesmo pessoas saudáveis conseguem dar conta de tudo o tempo todo, mas eu não consigo evitar de comparar o que foi com o que “era para ser”, se pelo menos meu cérebro funcionasse adequadamente.

Os meus problemas não acabaram, no entanto. Pelo menos agora que estou conseguindo lidar com as minhas obrigações, parece que minha mente continua procurando sarna para se coçar. Encontro-me perturbada pelas mesmas compulsões de sempre e sinto que, mais uma vez, estou fadada a perder o controle. Quem lê isso pensa até que vou fazer alguma besteira grande, tipo misturar drogas ou assaltar um banco, quando na verdade estou falando apenas de mudanças visuais mesmo.

Essa semana, na terapia, percebi algumas semelhanças nos meus principais comportamentos compulsivos: todos estavam relacionados a mudanças visuais. Seja mudança de blog, de design, de celular, de cabelo, do que fosse, sempre tudo foi muito visual. Sempre foi algo que, de certa forma, conservava o conteúdo, mas tinha uma apresentação visual diferente. Mesmo quando mudo de blog completamente, o conteúdo é sempre o mesmo: eu, minhas vivências, minhas opiniões… É sempre a mesma coisa.

Também terminei os relatórios psicológicos dos atendimentos na clínica essa semana, o que me fez refletir bastante sobre o conceito de awareness, um dos principais conceitos da Gestalt-terapia. O termo pode ser traduzido como “consciência” e diz respeito à compreensão do quê a pessoa está fazendo, de como está fazendo, de como pode aceitar, transformar e valorizar a si mesma. Percebi que, quando se trata dessas compulsões, eu ainda estou com uma awareness bem reduzida. Eu sei o que faço e como faço, mas não entendo como posso aceitar, transformar ou valorizar isso. No fim, sinto como se estivesse jogando fora meu tempo, meu dinheiro, minha criatividade e até mesmo minha saúde mental.

O lado bom é que a awareness tende a aumentar indefinidamente. Em suma, isso quer dizer que essa história não acaba aqui. Eu posso não compreender agora, mas isso não significa que essa compreensão é algo que estará sempre fora do meu alcance. Talvez eu só precise dar tempo ao tempo, dar um passo de cada vez. E, até lá, aguentar os surtos e minimizar os estragos.


2 respostas em “I just threw out the love of my dreams”

Tati disse:

espero que as medicações continuem te fazendo bem! <3

Limonada

Helaina disse:

Oi Masha, tudo bem?

Olha, queria eu fazer terapia e se a terapeuta achasse necessário até fazer uso de algum remédio. Minha vida toda fui dando meu jeito, mas tenho acompanhado uma psicóloga no Instagram e descoberto que muitas das coisas que eu achava que eram iguais para todo mundo, na verdade são reações minhas a feridas, que eu nem achava que fossem feridas, do passado. Agora que tenho noção disso, sei que preciso procurar ajuda para me curar. Enquanto não acontece, vou deixando meus blogs fazerem esse trabalho. Um com as coisas que eu gosto (livros, filmes, etc..) e outro com meus contos curtos.

Melhoras para nós!

Beijos;
Mente Hipercriativa | Universo Invisível

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