Diarices

Não nasci pra ser blogueira



Atenção: post desabafo confuso. Leia por sua própria conta e risco.

Como pessoa que está no blogosfera há mais de 10 anos, é claro que este título parece um pouco irônico, mas não é. Eu realmente não nasci para ser blogueira. De fato, eu não nasci para ser nada.

Quando eu tinha 10 anos de idade, meu pai criou um blog no qual raramente postava alguma coisa. Eu fiquei animada com a ideia e quis criar um para mim também. Claro que, aos 10 anos, eu não tinha muito o que postar, então eu inventava um monte de balela aleatória e postava que amava meus leitores umas 15 vezes por dia. Era péssimo.

A medida em que o tempo foi passando e eu fui ficando mais madura, eu comecei a escrever algumas coisas mais elaboradas. Durante a minha adolescência, esse negócio de blogar conseguiu me manter relativamente sã durante umas boas crises, e eu aprendi que a escrita poderia ser outro meio de expressar minhas emoções. Por muito tempo, eu só consegui escrever quando estava me sentindo mal, sendo que acreditei até mesmo que eu não conseguiria jamais escrever qualquer coisa se estivesse bem. E acho que, ano passado, quando tudo aconteceu, foi o período da minha vida em que mais escrevi, e eu estaria mentindo se dissesse que está tudo bem agora — eu continuo com os mesmos problemas de sempre, afinal, um diagnóstico de transtorno mental frequentemente é para a vida toda. Contudo, eu não tenho mais vontade de escrever sobre a minha tristeza.

Talvez eu tenha aprendido a expressá-la de outras formas, talvez eu esteja preocupada com a minha autoimagem. Ou talvez eu só não esteja triste o bastante para escrever. Não sei. Só sei que tenho tido dificuldade em escrever, mesmo quando as coisas não estão bem.

Já tentei pensar em muitas coisas sobre as quais escrever. Já fui atrás de dicas de blogueiras grandes, mas nada do que elas sugeriam me interessava. Também já pensei em focar mais em um assunto ou outro, fazer um blog de nicho até, mas a ideia nunca foi pra frente pois eu simplesmente me tremo inteira só de pensar em me comprometer a um tema apenas (ou temas análogos). E desde que eu criei este blog, eu tentei encontrar algum assunto que fosse uma espécie de cola que pudesse colocar todos os posts numa mesma temática, mas a verdade é que eu simplesmente não consigo manter nenhum tipo de consistência.

Eu vejo blogueires e youtubers que conseguem fazer algo consistente, mantendo uma temática, mesmo nos conteúdos mais pessoais elus conseguem manter alguma sensação de coerência com a temática geral da qual tratam, e eu jamais consegui fazer algo assim. Porque, enquanto as pessoas conseguem manter interesses por anos a fio, eu simplesmente mudo de interesses o tempo inteiro. Eu fico obcecada por algo durante algumas semanas ou meses, e depois eu simplesmente nem sinto mais falta daquilo. Enquanto algumas pessoas conseguem usar alguns de seus interesses como parte de suas identidades, eu simplesmente não consigo. Porque, se eu fizesse isso, eu teria que mudar de identidade com uma frequência absurda. E eu sei que ninguém é a mesma pessoa durante todas as suas vidas, eu sei que interesses mudam e que aquilo que vemos em nos blogs/canais de “influencers” são simplesmente uma fração de suas vidas, não quem elus são ou serão pra sempre. E se elus não precisam se comprometer de verdade em continuar sendo a mesma pessoa sempre, então eu também não preciso. Mas eu também não suporto a ideia de ser uma sacola ao vento, que às vezes enrosca aqui, às vezes enrosca lá, e no fim das contas eu simplesmente não consigo me comprometer com absolutamente nada.

Junto a isso, eu percebi que o meu amor por web design e desenvolvimento só crescia, a medida em que eu ia aprendendo as coisas no WordPress eu ficava mais e mais animada em construir páginas, e talvez seja este o problema. Eu gosto mais da etapa da criação do que qualquer outra etapa na manutenção de um blog, site ou qualquer outra coisa. Entretanto, ao mesmo tempo, eu percebi que eu ainda tenho um caminho imenso a percorrer se algum dia eu quiser levar essa coisa de desenvolvimento web de maneira minimamente profissional. Eu ainda tenho muito a aprender, e diante de tanta coisa eu não consigo deixar de me sentir um tanto quanto… desmotivada.

Em geral, eu sou uma pessoa que gosta muito de aprender coisas novas. Adoro adquirir conhecimento, e posso passar dias inteiros estudando os assuntos que eu gosto. Ou seja, geralmente, eu amo estudar e me sinto bastante motivada para tal. Mas não dessa vez. Agora, parece-me que eu simplesmente nunca vou saber o suficiente para nem mesmo conseguir procurar alguma vaga ou cliente para os meus trabalhos. E eu não sei se isso é uma espécie de síndrome do impostor — até porque já vi gente com menos conhecimento que o meu conseguindo ser pago para fazer essas coisas — ou se realmente esse negócio todo simplesmente não é pra mim. E talvez não seja mesmo; talvez não exista nada para mim.

Mas, novamente, eu não nasci para ser nada. E, logicamente, nada é para mim. Sendo assim, eu tenho a completa liberdade de escolher fazer ou não fazer. O problema, na verdade, não é que eu não nasci para isso. O problema é que eu simplesmente não sei o que eu quero. Seria demais querer que estivesse tudo bem assim?

3 respostas em “Não nasci pra ser blogueira”

victor disse:

tenho a impressão de que nunca disse propriamente o quanto admiro o fato de tu ser tão boa em descrever as nuances de teus sentimentos e fazer com que o interlocutor fique imerso na leitura. ia apenas bisbilhotar, li tudo e agora me sinto obrigado a comentar porque me identifiquei muito com essa postagem e achei que talvez tu te sentiria um pouco melhor sabendo que não está sozinha nessa.

também comecei cedo o blog e com isso sinto que já fui umas cinquenta pessoas diferentes (porque sou mesmo, não consigo manter “consistência” por mais de dois meses no mesmo nome, blog, modelo, estilo, temática, nada) e mesmo que essa impressão de que todas as outras pessoas são estáveis ou previsíveis ou consistentes e a gente é uma turbulência enorme, tenho começado a achar que a gente só se enxerga assim porque bem, estamos dentro do nosso próprio cérebro. acho que pras outras pessoas talvez seja mais difícil perceber essa inconstância. não sei, viajei, não tenho tanto conhecimento do funcionamento comportamental humano mas acho interessante levantar hipóteses. espero não ter falado tanta abobrinha.

o que sei é que mesmo que tu chegue à conclusão de que escrever não é algo que tu considere que tem exatamente a ver contigo ou algo “pra ti”, como tu disse, espero que tu não pare de escrever. gosto do teu blog, de verdade. como disse antes, tua escrita é cativante e é raro encontrar uma pessoa que consiga transmitir suas ideias e também seu intelecto e ainda ter um design agradável: leio mais de dez blogs por dia e na imensa maioria falta uma dessas coisas (digo com segurança que no meu próprio falta uma melhor desenvoltura na comunicação de minha parte intelectual, porque sou burrão mesmo na hora de me comunicar e expressar minhas ideias e posicionamentos) e bem, eu sempre percebi que teu blog tem todas essas coisas. acho isso muito legal, de verdade. apesar de entender caso um dia tu pare de escrever, seria realmente uma pena.

por fim, amei os ratos do layout. amei o ratinho desenhado ali em cima! vi nas redes sociais que tu tem estudado bastante sobre os animaizinhos e achei muito fofo tu ter trazido eles por aqui.

enfim, viajei mesmo! essa postagem me tocou bastante. espero não ter dito nada de muito irritante ou sem noção, até porque obviamente ninguém entende 100% o outro. enfim!!! vou ficar por aqui antes que peça desculpas umas 500 vezes shiashskdj

beijos ♡

Érica santos disse:

Creio que me sinto assim de vez quando, parece que nunca me encaixo, acho que eu não me encaixo no padrão de ser blogueira porque as vezes não consigo compreender muitas coisas e talvez algumas vidas que parecem montadas perfeitas, sinto meio que um et diante de tanta perfeição .

Claudia Hi disse:

Oi Masha!

Eu me sinto exatamente como você e gostei muito da sua analogia com a sacola de plástico. Também vou enroscando aqui e alí e parece que nada da minha vida é constante. Muitas vezes já começo algo sabendo que não vou gostar por muito tempo. Em algumas dessas vezes eu começo. Em outras eu já desisto de uma vez. Talvez seja porque somos multipotenciais (já ouvi falar?) ou no fundo a gente tenha tanto medo de falhar que dá essa desculpa de que não gosta. Mas eu acredito mesmo que a gente ainda não tenha encontrado aquilo que realmente faça os nossos olhos brilharem. O tal do propósito ou missão de vida que todo mundo fala…

Enfim, boa sorte pra você. Só espero que você continue postando aqui, porque gostei muito do seu cantinho ♥

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Quem escreve

Masha, 26. Uma das coisas que mais amo nessa vida é escrever, motivo pelo qual não consigo simplesmente viver sem um blog.

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