Por que ratos?

12 de março de 2021 — Ratologia

Há alguns meses, eu decidi que iria adotar ratos. Depois que minha mãe doou os gatos que eu tinha em 2018, meu pai disse que não deixaria mais nenhum bicho entrar nessa casa; até que meu namorado me ajudou a convencê-lo que ratos são fáceis de cuidar e que eu mereço uma chance para provar minha responsabilidade para com bichinhos. Eu até queria gatos de volta, já que minha mãe não estaria aqui para ser contra eles, porém meu pai não queria bicho solto andando pela casa — que poderiam estragar os artesanatos que ele faz —, e por isso optei por um animal que pode ser criado em gaiolas.

“Gaiola é crueldade!”, você pode dizer. E eu respondo: não é, não. Viver numa gaiola não é ruim porque tem pouco espaço; viver numa gaiola é ruim porque falta estímulo. A questão não é tanto a quantidade de espaço que o animal tem, mas sim quantos estímulos ele recebe. Grande parte de nós vive o dia inteiro enfurnado em um escritório ou dentro de casa e isso não é problema, porque graças à tecnologia temos estímulos o suficiente para não ficarmos entediados só porque não podemos sair lá fora (oi, pandemia). Claro, uma gaiola minúscula é crueldade, mas uma gaiola com as proporções adequadas e cheia de estímulos com os quais os bichos podem se divertir está longe de ser crueldade. Além disso, ratos podem (e devem!) ser soltos algumas horas por dia; eles dão uma breve explorada pela casa, cheiram aqui, cheiram lá, roubam pão de queijo (já vi acontecer) e depois voltam para a gaiola, onde tem caminhas, água e comidinha para os bichanos. Vai me dizer que isso é uma vida ruim? Melhor do que viver no esgoto porque o ser humano não consegue controlar pragas urbanas, né?

Enfim, caso você ainda não esteja convencido que gaiola não é crueldade, saiba que eu não ligo a mínima para a tua opinião e vou adotar meus ratos mesmo assim — e eles serão tão felizes quanto for possível para um rato ser. Desde que tomei essa decisão, dedico horas da minha semana para estudar os ratos, estudar como eles devem ser cuidados, seus hábitos, dietas, sinais de alerta, comportamentos, entre outros, então eu acredito que estou fazendo uma escolha bem informada e serei capaz de ser uma boa tutora de lindos ratinhos.

Enfim, vamos à pergunta inicial: por que ratos? E, bem, parte da resposta já está no primeiro parágrafo: foi o animal que consegui convencer meu pai de me deixar adotar. Mas, além disso, tem outros motivos que eu escolhi os ratos e não algum outro animal que pode ser criado em gaiola, como um hamster ou um ferret. Pois então, por que ratos?

Ratos são criaturas altamente sociais

Uma das coisas mais gostosas em ter um bicho de estimação é conviver realmente com ele. É poder brincar com o bicho, dar carinho, ensinar truques, é realmente participar da vida dele. O hamster, por exemplo, é um animal que não é muito social — tanto que nem mesmo é indicado ter mais de um hamster na mesma gaiola. Além disso, muitos acabam nunca se acostumando com a interação humana, o que seria bem chato para mim, que quero poder realmente interagir com os animais. Já os ratos são tão sociáveis que eles simplesmente não podem viver sozinhos. Adotar apenas um rato é um tanto quanto irresponsável, pois o rato é um animal que vive em colônias e pode ficar extremamente deprimido se ele não tiver pelo menos um parceiro para dividir a gaiola.

Claro que a interação humana não vem naturalmente para os ratos; é preciso conquistar sua confiança antes. Contudo, é muito mais fácil socializar um rato do que um hamster, por exemplo.

Ratos são inteligentíssimos

Lembra que eu falei sobre ensinar truques aos animais no tópico anterior? Pois bem, os ratos são animais que aprendem muito rápido — não é a toa que grande parte dos experimentos são feitos com estes animais. Eles aprendem truques como buscar a bolinha, aprendem a resolver labirintos e é possível até mesmo ensinar os ratinhos a “jogar basquete” (claro que nada parecido com o basquete humano, mas é divertido mesmo assim). Já vi também rato que aprendeu a roubar dinheiro de carteira. Vai me dizer que não é uma ótima ideia? Risos

Ratos são limpinhos

Ao contrário da crença popular, ratos são animais incrivelmente limpos. Embora eles façam bastante xixi e cocô na gaiola, é possível ensiná-los a usar o banheirinho (que se assemelha a uma caixinha de areia de gato, porém em menor escala). Além disso, eles gostam bastante de se esfregar e estão constantemente se limpando. Ou seja, o esgoto certamente não é um local adequado para os ratos morarem, e eles só fazem isso porque realmente não têm outra opção. De dia, precisam se esconder dos seres humanos, e de noite saem para caçar comida. Sendo assim, o melhor esconderijo que puderam achar na cidade foi o esgoto, e isso nada tem a ver com uma preferência por sujeira ou algo assim.

Ratos são boludos

Ok, esse tópico é brincadeira, mas é verdade. Não escolhi adotar ratos por causa do tamanho do testículo desses animais (que é incrivelmente grande para um bichinho tão pequeno), mas sempre acho esse um fato muito curioso e adoro comentar com as pessoas sobre isso. Pretendo adotar ratas fêmeas, tanto por conta do tamanho quanto por outros motivos (cheiro mais ameno, mais energia, entre outros), mas “bola de rato” continua sendo um dos meus assuntos favoritos para quebrar o gelo quando conheço uma pessoa nova.

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Não sei se ficou claro, mas ratos são ótimos pets e cuidar deles não é difícil. Você só tem que estar disposto a dar muito amor, soltá-los e brincar com eles ao menos 1 horinha por dia, e ter atenção às suas necessidades básicas como alimentação e banheiro. São bichinhos lindos e muito divertidos de se conviver. Por isso ratos. ♡