Espiritualidade

Sobre ser uma estrela



“Todo homem e toda mulher é uma estrela”

Aleister Crowley

Faz algum tempo que eu não estou mais triste. Como pessoa que convive com o transtorno afetivo bipolar, sei que é só uma questão de tempo até que eu volte a ser triste. E eu digo ser, mas no sentido de estar, pois obviamente nós nunca somos nada. Ou, se somos, então somos o resultado de nossas circunstâncias, tanto internas quanto externas. E, se você entendeu o meu ponto, então compreende que se trata de uma flexibilidade imensa, uma capacidade de mutação incrivelmente grande, e por isso nós não somos objetivamente nada. Nós sempre estamos sendo.

E é nesse estar sendo que mora a verdade da vida, algo que eu talvez tenha demorado tempo demais para perceber. Na realidade, eu sempre soube — todas as respostas para todas as questões que perguntamos estão sempre dentro de nós mesmos, só estamos frequentemente ocupados demais para perceber isso.

Porque a verdade é que nós passamos tempo demais morando nas desculpas, morando nos infortúnios do dia-a-dia, para lembrar que podemos ir muito além disso. Colocamo-nos em posições extremamente limitadas, quando podemos estar sendo um universo inteiro. O mundo é grande demais pra gente continuar só olhando pro nosso próprio umbigo. E, por mais contraditório que pareça, é olhando para nosso próprio umbigo que percebemos isso.

Eu passei a minha vida inteira correndo da minha própria vontade. Sempre que surgiam caminhos que me lavavam para onde queria ir, eu preferia fazer a curva. Porque a verdade é que eu não suportaria a ideia de sofrer no caminho que sempre quis trilhar. Então, se eu fosse por outros caminhos, ao menos no final eu teria a desculpa de que não estava fazendo o que realmente queria, então tudo bem se não desse certo, tudo bem se terminasse em algum tipo de falha. E, por não ser o que eu realmente queria, não poderia haver um resultado diferente.

Passei tanto tempo da minha vida me preocupando com as consequências indesejadas dos meus feitos que acabei me esquecendo do que realmente importa: a alegria do fazer em si.

Quanto mais valorizamos algo, maiores serão nossas resistências para realizar esses feitos. E isso é lógico, não queremos nos machucar. Contudo, o medo de se machucar é paralisante, e este não deveria ser, nem de longe, o foco de nossos pensamentos. Afinal, “o medo da morte é o medo da vida”.

Não é uma questão de nunca pensar nas consequências ou ignorar eventuais riscos, mas sim de perceber para onde sua energia está direcionada. Nossa mente tem um certo limite de quanta energia consegue mobilizar em prol de uma ação, então focá-la nos potenciais riscos é, no fim das contas, extremamente contraprodutivo.

A questão é que nenhum caminho é reto, nenhuma escolha é segura. Nada é certeiro. Estamos o tempo todo apostando com o universo. Mas, novamente, todos somos estrelas. E toda estrela tem o poder de brilhar. Então, como você quer brilhar?

3 respostas em “Sobre ser uma estrela”

Mitti Mello disse:

Hello!

Girl! EU AMO SEUS TEXTOS!!!

Serio, você consegue me fazer pensar e me fazer sentir ao mesmo tempo. Sem falar que é uma leitura maravilhosa para a alma. E eu desejo que você continue nessa alegria, que te faz brilhar como uma estrela. Por sem duvida você merece todo esse brilho!

Bjinhos linda!

Me identifiquei muito com o seu texto. Várias vezes eu me vejo em uma situação em que eu procrastino o que quero fazer por medo de errar (se eu deixar para a última hora e sair tudo errado, não significa que eu não sou capaz, afinal não me dediquei 100%). Acho que essa também é uma forma de fugir dos meus caminhos e de não sofrer neles. Mas você está certa: o mundo é gigante e somos insignificantes demais para não corrermos atrás dos nossos desejos. O universo é gigante e sempre tem espaço para tentar outra vez. Mesmo assim, queria que fosse mais fácil lembrar disso :/

snow disse:

Oi oi Masha!
Menina, ler esse texto me lembrou muito do mini documentário sobre o caso Elisa Lam que lançou na Netflix dia desses. A maneira como você colocou seus pensamentos me remeteu muito a algumas postagens dela que são mostradas ao longo dos episódios, que coisa, ler algo seu sempre me lembra de outra coisa que já vi ou li heh.

Mas a leitura foi boa Masha!
E esse visual tá lindão!

Beijos, Snow!

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Quem escreve

Masha, 26. Uma das coisas que mais amo nessa vida é escrever, motivo pelo qual não consigo simplesmente viver sem um blog.

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