Masha Alkhim

Diarices / 18 de março de 2021

Não nasci pra ser blogueira

Atenção: post desabafo confuso. Leia por sua própria conta e risco.

Como pessoa que está no blogosfera há mais de 10 anos, é claro que este título parece um pouco irônico, mas não é. Eu realmente não nasci para ser blogueira. De fato, eu não nasci para ser nada.

Quando eu tinha 10 anos de idade, meu pai criou um blog no qual raramente postava alguma coisa. Eu fiquei animada com a ideia e quis criar um para mim também. Claro que, aos 10 anos, eu não tinha muito o que postar, então eu inventava um monte de balela aleatória e postava que amava meus leitores umas 15 vezes por dia. Era péssimo.

A medida em que o tempo foi passando e eu fui ficando mais madura, eu comecei a escrever algumas coisas mais elaboradas. Durante a minha adolescência, esse negócio de blogar conseguiu me manter relativamente sã durante umas boas crises, e eu aprendi que a escrita poderia ser outro meio de expressar minhas emoções. Por muito tempo, eu só consegui escrever quando estava me sentindo mal, sendo que acreditei até mesmo que eu não conseguiria jamais escrever qualquer coisa se estivesse bem. E acho que, ano passado, quando tudo aconteceu, foi o período da minha vida em que mais escrevi, e eu estaria mentindo se dissesse que está tudo bem agora — eu continuo com os mesmos problemas de sempre, afinal, um diagnóstico de transtorno mental frequentemente é para a vida toda. Contudo, eu não tenho mais vontade de escrever sobre a minha tristeza.

Talvez eu tenha aprendido a expressá-la de outras formas, talvez eu esteja preocupada com a minha autoimagem. Ou talvez eu só não esteja triste o bastante para escrever. Não sei. Só sei que tenho tido dificuldade em escrever, mesmo quando as coisas não estão bem.

Já tentei pensar em muitas coisas sobre as quais escrever. Já fui atrás de dicas de blogueiras grandes, mas nada do que elas sugeriam me interessava. Também já pensei em focar mais em um assunto ou outro, fazer um blog de nicho até, mas a ideia nunca foi pra frente pois eu simplesmente me tremo inteira só de pensar em me comprometer a um tema apenas (ou temas análogos). E desde que eu criei este blog, eu tentei encontrar algum assunto que fosse uma espécie de cola que pudesse colocar todos os posts numa mesma temática, mas a verdade é que eu simplesmente não consigo manter nenhum tipo de consistência.

Eu vejo blogueires e youtubers que conseguem fazer algo consistente, mantendo uma temática, mesmo nos conteúdos mais pessoais elus conseguem manter alguma sensação de coerência com a temática geral da qual tratam, e eu jamais consegui fazer algo assim. Porque, enquanto as pessoas conseguem manter interesses por anos a fio, eu simplesmente mudo de interesses o tempo inteiro. Eu fico obcecada por algo durante algumas semanas ou meses, e depois eu simplesmente nem sinto mais falta daquilo. Enquanto algumas pessoas conseguem usar alguns de seus interesses como parte de suas identidades, eu simplesmente não consigo. Porque, se eu fizesse isso, eu teria que mudar de identidade com uma frequência absurda. E eu sei que ninguém é a mesma pessoa durante todas as suas vidas, eu sei que interesses mudam e que aquilo que vemos em nos blogs/canais de “influencers” são simplesmente uma fração de suas vidas, não quem elus são ou serão pra sempre. E se elus não precisam se comprometer de verdade em continuar sendo a mesma pessoa sempre, então eu também não preciso. Mas eu também não suporto a ideia de ser uma sacola ao vento, que às vezes enrosca aqui, às vezes enrosca lá, e no fim das contas eu simplesmente não consigo me comprometer com absolutamente nada.

Junto a isso, eu percebi que o meu amor por web design e desenvolvimento só crescia, a medida em que eu ia aprendendo as coisas no WordPress eu ficava mais e mais animada em construir páginas, e talvez seja este o problema. Eu gosto mais da etapa da criação do que qualquer outra etapa na manutenção de um blog, site ou qualquer outra coisa. Entretanto, ao mesmo tempo, eu percebi que eu ainda tenho um caminho imenso a percorrer se algum dia eu quiser levar essa coisa de desenvolvimento web de maneira minimamente profissional. Eu ainda tenho muito a aprender, e diante de tanta coisa eu não consigo deixar de me sentir um tanto quanto… desmotivada.

Em geral, eu sou uma pessoa que gosta muito de aprender coisas novas. Adoro adquirir conhecimento, e posso passar dias inteiros estudando os assuntos que eu gosto. Ou seja, geralmente, eu amo estudar e me sinto bastante motivada para tal. Mas não dessa vez. Agora, parece-me que eu simplesmente nunca vou saber o suficiente para nem mesmo conseguir procurar alguma vaga ou cliente para os meus trabalhos. E eu não sei se isso é uma espécie de síndrome do impostor — até porque já vi gente com menos conhecimento que o meu conseguindo ser pago para fazer essas coisas — ou se realmente esse negócio todo simplesmente não é pra mim. E talvez não seja mesmo; talvez não exista nada para mim.

Mas, novamente, eu não nasci para ser nada. E, logicamente, nada é para mim. Sendo assim, eu tenho a completa liberdade de escolher fazer ou não fazer. O problema, na verdade, não é que eu não nasci para isso. O problema é que eu simplesmente não sei o que eu quero. Seria demais querer que estivesse tudo bem assim?

Sem categoria / 20 de janeiro de 2021

Sobre não saber como (re)começar

Às vezes nem parece que já passei por este processo milhares de vezes, pois sempre esqueço como fazê-lo. (Re)Começar é sempre uma delícia, mas também é trabalhoso, e no meio de tanta coisa a ser feita eu acabo me perdendo nas minhas próprias intenções, incapaz de dar um primeiro passo.

Quem me conhece há anos sabe o quanto eu me empenho nesse negócio de manter um blog — talvez não pareça, porque as postagens podem sofrer longos atrasos, mas estou sempre mexendo em alguma coisa ou outra no meu cantinho pessoal na internet. E algo que sempre foi um sonho foi conseguir aprender a desenvolver temas para WordPress, que muito se assemelham a um bicho de sete cabeças aos novatos.

Ainda estou longe de conseguir desenvolver um tema completo e cheio de funções bacanas e bonitas, mas encontro-me feliz por, ao menos, ter conseguido fazer alguma coisa sem precisar utilizar o código base de ninguém. Foram dias tentando desenvolver um tema que eu gostasse e que refletisse meu gosto estético. Não vou mentir: sinto que falhei. Porém, ao mesmo tempo, sei também que este não é um tema padrão, que você encontra em qualquer website na internet. Por conta disso, sinto-me relativamente orgulhosa.

Acho importante ressaltar que agora estou atendendo pelo pseudônimo Masha, inspirado no apelido russo. Um dia, conversando com o pessoal do Together, a Shana disse que preferia usar um pseudônimo até mesmo para evitar que pacientes a encontrassem na internet. Começo a atender na clínica este ano, e achei que seria bacana adotar uma medida parecida — afinal de contas, imagina se um paciente meu acaba encontrando este cantinho? Não seria bom, porque eu tendo a me expor bastante aqui, e o paciente ter este tipo de conhecimento pode trazer interferências na relação terapêutica, o que eu gostaria muito de evitar.

Não sei até que ponto usar o pseudônimo vai me manter escondida, até porque não pretendo deixar de mostrar meu rosto neste blog ou nas redes sociais em que usarei este nome. No entanto, sei também que não sou uma blogueira famosa e as chances de alguém encontrar este blog ao acaso são baixíssimas, então está tudo certo. Hooray.

Por fim, espero que eu consiga levar este blog de forma tranquila. Sei que vou me estressar, como sempre me estresso, me cobrando para postar ou para fazer alguma coisa que reflita melhor quem eu sou — pois sempre acho que, apesar da superexposição que faço aqui, nunca está exposto o suficiente, e eu preciso me esforçar mais. Espero conseguir fazer posts leves, tranquilos de escrever e de se ler, e que quem resolva dedicar alguns minutinhos de sua vida para ler o que escrevo, ao menos saia daqui sentindo que não foram minutos perdidos… Mas, talvez, eu esteja pedindo demais.

É aquela velha história; sou responsável apenas pelo que falo, não pelo que o outro entende. E, mesmo assim, insistimos em tentar fazer o outro ver o mundo como vemos. Que vida, não é mesmo?