Masha Alkhim

Diarices / 22 de abril de 2021

Quero voltar ao último domingo

Não estou comendo de forma saudável e meus hábitos de sono estão todos desregulados. Ando cuidando mais das minhas ratas do que de mim mesma, e isso que ainda me considero bastante negligente com elas. No psiquiatra, ouvi que não era preciso aumentar a dose do antidepressivo porque toda a pressão e desmotivação que eu ando sentindo é considerada uma resposta emocional adequada ao que estou vivendo. Sem falar no frio, que chega aos poucos e me faz querer enrolar as ratas em cobertores importados, enquanto eu permaneço de manga curta com a rinite a todo vapor, como se eu estivesse testando os limites do meu corpo. Talvez, no fundo, eu queira ficar doente. Será que assim eu posso descansar um pouco?

Eu queria poder voltar ao último domingo. Foi o melhor domingo que tive em meses. Um daqueles domingos preguiçosos, nos quais não precisamos sair da cama, acompanhada de meu namorado e das duas ratinhas, que dormiram o dia todo debaixo das cobertas. Vocês não têm ideia do quanto essas meninas cresceram nas últimas semanas. Estão gigantes! E cada dia mais destemidas para explorar mais. Estou com planos de fazer algumas adaptações na gaiola, para torná-la mais divertida para ratos, bem como fazer alguns brinquedos bacanas para que elas brinquem bastante quando estão soltas.

Meu namorado e minhas ratas têm sido minhas maiores fontes de alegria nos últimos tempos. Eu amo meu curso e estou adorando atender na clínica, mas mentiria se dissesse que estou perfeitamente feliz — sinto que não estou tão preparada quanto deveria estar, ainda que eu tenha feito várias leituras ao longo dos anos e até mesmo durante as férias. Felizmente, minha supervisora é ótima e consegue passar várias orientações úteis, que permitem com que eu não me sinta tão perdida durante os atendimentos, mas a ansiedade e o desespero de não saber exatamente o que falar ou fazer sempre acabam aparecendo e me deixando bem sobrecarregada.

Quanto aos outros estágios, andam a passos de tartaruga, o que já era esperado que acontecesse em tempos de pandemia. Algumas coisas não ficaram muito claras, alguns orientadores não conseguem orientar muito bem, e eu me sinto jogada ao vento como se, ao invés de testar os conhecimentos de psicologia que adquiri ao longo do curso, estivessem testando a minha capacidade de ser funcional em meio ao mais completo caos. E, infelizmente, eu já não sou muito funcional quando está tudo bem, então quem dirá agora…

Sinto-me desconectada de uma parte de mim que me importa muito, mas também sinto que não posso voltar porque, agora, não é a hora. É hora de focar nos estágios, hora de focar em construir conexões para iniciar uma carreira, hora de provar ao mundo que, no fim das contas, tudo valeu a pena. E eu não discordo: valeu a pena sim, e continua valendo, e provavelmente valerá por toda a minha vida. Eu só queria não ter que precisar provar nada para ninguém.

Diarices, Ratologia / 5 de abril de 2021

São as ratas, são as ratas bem malandras!

Ontem, dia 4 de abril, além de ter sido Páscoa, foi também o Dia Mundial dos Ratos. Achei que seria uma oportunidade maravilhosa para apresentar a Moranga e a Titânia, as duas ratinhas que adotei no dia 31/03. Contudo, a preguiça me pegou de jeito e deixei para escrever sobre isso hoje.

Já falei no blog sobre meu desejo de adotar ratinhos, falei sobre algumas características destes animais como pets, e estive há meses lendo e estudando sobre ratos, até que finalmente no dia 31 consegui adotar duas nenezinhas. São ratinhas recém desmamadas, então ainda são pequenas, mas já são bem sapequinhas e gostam de explorar bastante. A Moranga é de uma coloração meio creme, é tão clarinha que se você não prestar a atenção, ela até parece branquinha. Seus olhos são rubi, um vermelho bem escuro (no escuro, pode até parecer castanho) e ela é cerca de duas vezes maior que a Titânia. Já a Titânia é uma American Blue, uma pelagem cinza bem clarinho, e seus olhos são pretinhos. Ela é bem menorzinha, mas já está crescendo e acredito que no futuro ela irá alcançar a Moranga em tamanho.

No primeiro dia, o medo delas era muito grande, então elas ainda estavam apenas cheirando aqui e lá, se a gente tentasse pegar elas na mão, elas fugiam, guinchavam bastante e ficavam recolhidinhas no cantinho da gaiola. Neste momento, elas ainda não tinham percebido que tinha uma toquinha para elas se esconderem, então acabaram dormindo no chão da gaiola encolhidas, com muito medo.

Já no segundo dia, descobriram a existência da toquinha. A partir daí, elas começaram a se sentir um pouquinho mais a vontade na gaiola, porém passavam quase o dia inteiro dentro da toca, provavelmente ainda com bastante medo de nós. Eu e meu irmão ficávamos colocando nossos braços dentro da gaiola com certa frequência pra que elas se acostumassem com nosso cheiro, com nosso braço, e percebessem que não éramos uma ameaça.

Assim elas prosseguiram nos outros dias: sempre se escondendo, saindo da toquinha para explorar somente quando estávamos longe, pois ainda tinham medo de nós. Depois de um tempo, começaram a perceber que a gente trazia comida e água, então aos pouquinhos foram confiando em nós. Até que, no final de semana, conseguimos pegá-las na mão sem estresse — tão sem estresse que, agora, se eu colocar meu braço dentro da gaiola, a Titânia já vem correndo subir nele pra vir no meu “colo” (que na realidade é meu ombro).

Mas a Titânia não é a única que gosta de subir em mim (e no meu irmão e no meu namorado, risos). A Moranga gostou tanto do negócio que até adotou meu pescoço como caminha pra tirar umas sonequinhas!

Mas nem tudo são flores, é claro. Ratos são conhecidos por não controlarem muito suas bexigas e intestinos, então é bem frequente que, enquanto estamos manuseando as ratinhas, aconteçam “acidentes”. Ou seja, além de ser caminha de rato, também virei banheiro de rato, risos.

Estou alimentando as ratas com a ração Equilibrato e ocasionalmente ofereço alguns petisquinhos. Porém, como elas ainda são pequenininhas, elas precisam de um complemento de proteína, e esse final de semana dei ovo cozido para elas. A Titânia adorou o ovo, não parava de comer, enquanto a Moranga olhou pro ovo e parece que ficou com raiva dele: começou a morder e rolar o ovo mas sem comê-lo, ela só queria destruir o ovo mesmo, hahahah! Porém, como ela não comeu o ovo, vou precisar procurar outra proteína pra complementar, já que aparentemente ela não curtiu muito.

Também dei maçã para elas, e as duas gostaram da maçã, mas não estavam com muita fome então resolveram esconder os pedaços na toquinha para comer depois. E realmente comeram, porque quando fui limpar a toquinha no outro dia, não tinha nenhum pedacinho de maçã sobrando. Por fim, também demos um pouquinho de banana amassada com flocos de aveia. Novamente, Titânia ficou extremamente animada com a banana, dava pra ver a alegria nos olhos dela enquanto ela comia. Já a Moranga, inicialmente, não ligou pra banana. Não parava nem pra cheirar direito, risos. Porém, depois de um tempo, meu namorado ofereceu a banana de novo e ela finalmente aceitou. Pelo jeito, a Moranga puxou à cuidadora: fresca pra caramba pra comer, hahah!

Esse post já tá meio compridinho, então vou deixar para falar mais sobre elas em outros posts, risos. Finalizo deixando claro que estou completamente apaixonada pelas minhas meninas. Elas tem trazido muita alegria e amor pra esse coraçãozinho em burnout da pandemia. Espero que possa compartilhar dessa felicidade com vocês! ♡

Ratologia / 12 de março de 2021

Por que ratos?

Há alguns meses, eu decidi que iria adotar ratos. Depois que minha mãe doou os gatos que eu tinha em 2018, meu pai disse que não deixaria mais nenhum bicho entrar nessa casa; até que meu namorado me ajudou a convencê-lo que ratos são fáceis de cuidar e que eu mereço uma chance para provar minha responsabilidade para com bichinhos. Eu até queria gatos de volta, já que minha mãe não estaria aqui para ser contra eles, porém meu pai não queria bicho solto andando pela casa — que poderiam estragar os artesanatos que ele faz —, e por isso optei por um animal que pode ser criado em gaiolas.

“Gaiola é crueldade!”, você pode dizer. E eu respondo: não é, não. Viver numa gaiola não é ruim porque tem pouco espaço; viver numa gaiola é ruim porque falta estímulo. A questão não é tanto a quantidade de espaço que o animal tem, mas sim quantos estímulos ele recebe. Grande parte de nós vive o dia inteiro enfurnado em um escritório ou dentro de casa e isso não é problema, porque graças à tecnologia temos estímulos o suficiente para não ficarmos entediados só porque não podemos sair lá fora (oi, pandemia). Claro, uma gaiola minúscula é crueldade, mas uma gaiola com as proporções adequadas e cheia de estímulos com os quais os bichos podem se divertir está longe de ser crueldade. Além disso, ratos podem (e devem!) ser soltos algumas horas por dia; eles dão uma breve explorada pela casa, cheiram aqui, cheiram lá, roubam pão de queijo (já vi acontecer) e depois voltam para a gaiola, onde tem caminhas, água e comidinha para os bichanos. Vai me dizer que isso é uma vida ruim? Melhor do que viver no esgoto porque o ser humano não consegue controlar pragas urbanas, né?

Enfim, caso você ainda não esteja convencido que gaiola não é crueldade, saiba que eu não ligo a mínima para a tua opinião e vou adotar meus ratos mesmo assim — e eles serão tão felizes quanto for possível para um rato ser. Desde que tomei essa decisão, dedico horas da minha semana para estudar os ratos, estudar como eles devem ser cuidados, seus hábitos, dietas, sinais de alerta, comportamentos, entre outros, então eu acredito que estou fazendo uma escolha bem informada e serei capaz de ser uma boa tutora de lindos ratinhos.

Enfim, vamos à pergunta inicial: por que ratos? E, bem, parte da resposta já está no primeiro parágrafo: foi o animal que consegui convencer meu pai de me deixar adotar. Mas, além disso, tem outros motivos que eu escolhi os ratos e não algum outro animal que pode ser criado em gaiola, como um hamster ou um ferret. Pois então, por que ratos?

Ratos são criaturas altamente sociais

Uma das coisas mais gostosas em ter um bicho de estimação é conviver realmente com ele. É poder brincar com o bicho, dar carinho, ensinar truques, é realmente participar da vida dele. O hamster, por exemplo, é um animal que não é muito social — tanto que nem mesmo é indicado ter mais de um hamster na mesma gaiola. Além disso, muitos acabam nunca se acostumando com a interação humana, o que seria bem chato para mim, que quero poder realmente interagir com os animais. Já os ratos são tão sociáveis que eles simplesmente não podem viver sozinhos. Adotar apenas um rato é um tanto quanto irresponsável, pois o rato é um animal que vive em colônias e pode ficar extremamente deprimido se ele não tiver pelo menos um parceiro para dividir a gaiola.

Claro que a interação humana não vem naturalmente para os ratos; é preciso conquistar sua confiança antes. Contudo, é muito mais fácil socializar um rato do que um hamster, por exemplo.

Ratos são inteligentíssimos

Lembra que eu falei sobre ensinar truques aos animais no tópico anterior? Pois bem, os ratos são animais que aprendem muito rápido — não é a toa que grande parte dos experimentos são feitos com estes animais. Eles aprendem truques como buscar a bolinha, aprendem a resolver labirintos e é possível até mesmo ensinar os ratinhos a “jogar basquete” (claro que nada parecido com o basquete humano, mas é divertido mesmo assim). Já vi também rato que aprendeu a roubar dinheiro de carteira. Vai me dizer que não é uma ótima ideia? Risos

Ratos são limpinhos

Ao contrário da crença popular, ratos são animais incrivelmente limpos. Embora eles façam bastante xixi e cocô na gaiola, é possível ensiná-los a usar o banheirinho (que se assemelha a uma caixinha de areia de gato, porém em menor escala). Além disso, eles gostam bastante de se esfregar e estão constantemente se limpando. Ou seja, o esgoto certamente não é um local adequado para os ratos morarem, e eles só fazem isso porque realmente não têm outra opção. De dia, precisam se esconder dos seres humanos, e de noite saem para caçar comida. Sendo assim, o melhor esconderijo que puderam achar na cidade foi o esgoto, e isso nada tem a ver com uma preferência por sujeira ou algo assim.

Ratos são boludos

Ok, esse tópico é brincadeira, mas é verdade. Não escolhi adotar ratos por causa do tamanho do testículo desses animais (que é incrivelmente grande para um bichinho tão pequeno), mas sempre acho esse um fato muito curioso e adoro comentar com as pessoas sobre isso. Pretendo adotar ratas fêmeas, tanto por conta do tamanho quanto por outros motivos (cheiro mais ameno, mais energia, entre outros), mas “bola de rato” continua sendo um dos meus assuntos favoritos para quebrar o gelo quando conheço uma pessoa nova.

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Não sei se ficou claro, mas ratos são ótimos pets e cuidar deles não é difícil. Você só tem que estar disposto a dar muito amor, soltá-los e brincar com eles ao menos 1 horinha por dia, e ter atenção às suas necessidades básicas como alimentação e banheiro. São bichinhos lindos e muito divertidos de se conviver. Por isso ratos. ♡