Masha Alkhim

Livros / 24 de fevereiro de 2021

Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo (Iain Reid)

Este livro me chamou a atenção logo pelo título. Sei que não podemos julgar um livro pela capa, mas podemos pelo título, certo? Como pessoa que lida com uma ideação suicida crônica, estas mesmas palavras já passaram pela minha cabeça inúmeras vezes, então automaticamente fiquei atraída pelo título. Antes mesmo de ver a sinopse, vi a opinião de outros leitores, que relataram uma sensação de medo e de angústia ao ler o livro. Sim, exatamente o que eu queria. Medo e angústia fictícia, porque já não basta as preocupações da vida real, não é mesmo?

O livro começa num carro, em uma viagem indo para a casa dos pais de Jake, namorado da protagonista (que não tem nome). Ao longo da viagem, a protagonista relata diversas vezes estar pensando em acabar com tudo, dando a entender que, na realidade, o livro se trata de um término de relacionamento, e não de suicídio como eu havia originalmente pensado. A história é narrada em primeira pessoa, ou seja, temos acesso constante aos pensamentos da protagonista, e pouco sabemos sobre Jake. Inclusive, a própria protagonista fala diversas vezes que nós nunca sabemos o que se passa na mente dos outros, mesmo das pessoas mais próximas e mais queridas. Uma verdade óbvia, porém igualmente perturbadora quando tomamos consciência disso.

Ao longo do jantar com os pais de Jake, vai ficando cada vez mais claro (ou confuso) que não se trata de uma narrativa realista. Como exemplo, cito o fato de que a protagonista vive recebendo ligações de seu próprio número, que deixa mensagens de voz sem muito sentido. É como se o universo em que as personagens se encontram estivesse dando alguns erros, glitches na Matrix. E, ao final do livro, existe uma explicação para isso — não muito óbvia, mas facilmente deduzível.

Eu devorei o livro, como geralmente faço quando me empolgo com alguma leitura. Em algumas noites, eu estava com os olhos fechando de sono, mas insistia em mantê-los abertos para continuar a história. Fiquei muito curiosa, tanto pelas bizarrices da história em si quanto pela misteriosa personagem principal, e se ela teria ou não coragem de terminar as coisas com Jake. Nas últimas páginas do livro, as coisas ficaram tão confusas que precisei pesquisar na internet para confirmar minhas suspeitas sobre a narrativa — eu adoro quando isso acontece, mas se você não gosta desse tipo de história, na qual as coisas de repente não fazem mais sentido e você precisa pensar um pouco para entender o que está acontecendo, então este livro não é para você.

Em alguns momentos, senti-me angustiada junto com a personagem principal. Achei que o autor conseguiu representar bem a sensação de estar sozinha e sentir que está enloquecendo aos poucos, porque, de repente, nada mais faz sentido. Porém, não diria que é uma narrativa muito original — eu mesma já criei diversas histórias parecidas na minha cabeça. Por fim, admito que gostei bastante do livro, adorei o fato de ter sentido sensações enquanto lia (se é que isso faz sentido), mas não sairia recomendado o livro para qualquer pessoa, pois sei que não é o tipo de livro para todo mundo.

Depois de terminar de ler, descobri que existe uma adaptação cinematográfica do livro feita porque ninguém mais, ninguém menos que Charlie Kaufman, conhecido pelo aclamado Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Fiquei bem interessada, mas ainda não assisti. Quem sabe, quando eu assistir, volto aqui para falar sobre. O que acham?

Abraços distantes e fiquem bem. ♡